
Hoje todas as paisagens estão de passagem (*): nada parece permanecer intocado pela práxis técnica dos humanos, nenhuma forma de vida parece escapar incólume no planeta dominado pelo anthropos. Neste minicurso problematizador e provocativo, apreciem uma exposição sintética e uma decifração crítica do conceito de Antropoceno: entramos numa nova época geológica marcada pelo poderio sem precedentes de nossa espécie? As marcas inegáveis (a não ser que você seja um ferrenho negacionista) do fenômeno não são patentes na ebulição climática planetária, na sexta extinção em massa da biodiversidade da Terra e na proliferação de poluições plásticas, petrolíferas e radioativas? Os gráficos da Grande Aceleração (1940-1950s) não são explícitos em mostrar todos os índices que tiveram explosiva ascensão recente e fizeram Gaia entrar em tormenta e o equilíbrio do Holoceno ser estraçalhado? O que se contesta no termo generalista Antropoceno a partir do campo ecosocialista e desde os espaços contestadores dos proponentes do Capitaloceno?
Através da produção artística no campo do cinema e das artes visuais, através de obras como Elysium, Blade Runner, Lorax, além de documentários de Burtynsky/Baichwal, Psyhoyos e outros, tentamos decifrar a Besta-Fera do Viver Coletivo Contemporâneo em que estamos caoticamente imersos. A atividade ocorreu em 02 de Dezembro de 2025 no IFG-Goiânia e estes materiais e reflexões partilhados pelo Prof. Eduardo Carli de Moraes constituem parte de sua tese de doutorado, em elaboração, no campo da Filosofia da Arte na FAFIL-UFG, com período de pesquisa na Universidade de Amsterdam / Holanda. Você pode assistir ao minicurso completo no YouTube ou no Substack.
(*) Faço aqui uma paráfrase das reflexões de Dipesh Chakrabarty.



Abaixo, saiba mais sobre o evento:
O NUPEFIL – Núcleo de Pesquisas e Estudos em Filosofia – realiza no IFG/Câmpus Goiânia, nos dias 02 e 03 de dezembro de 2025, o VIII Seminário NUPEFIL com o tema: “INFLEXÕES SOBRE O CAOS: ADOECIMENTO, MEIO AMBIENTE E O VIVER CONTEMPORÂNEO”. O objetivo principal é refletir sobre como o viver no mundo contemporâneo tem sido profundamente marcado por um estado de caos e crise permanentes, no qual o adoecimento e a relação instrumental do homem como o meio ambiente emergem como sintomas de uma vida cada vez mais sem sentido e desumanizada. A lógica neoliberal de produtividade e de acumulação desencadeou o aceleramento do tempo e a produção de subjetividades fragilizadas, adoecidas, atravessadas pela angústia, a insuficiência, a exaustão. Mesmo com o avanço da tecnologia e das mídias sociais que permitiram a aproximação virtual entre os humanos, esses nunca se sentiram tão desconectados. Nessa conjuntura, patologias como a ansiedade, a depressão e o esgotamento no trabalho não podem ser compreendidas apenas a partir de uma perspectiva biológica ou médica, tampouco serem sanadas de maneira medicamentosa. Tratam-se de manifestações de um mal-estar na civilização que afetam as estruturas sociais, econômicas e culturais. Esse modelo de desenvolvimento pautado no acúmulo de bens e na exploração irrestrita dos recursos naturais levou, simultaneamente, à degradação do meio ambiente, acentuando o cenário caótico e de instabilidade da vida contemporânea. As crises climáticas, a perda de biodiversidade e a contaminação de ecossistemas são algumas das consequências de uma relação predatória entre humanidade e natureza, cuja lógica instrumental desconsidera os limites ecológicos e compromete a própria viabilidade da vida no planeta. Essa crise ambiental não apenas impacta diretamente a saúde coletiva, por meio da propagação de doenças e inseguranças alimentares, como também provoca o adoecimento psíquico. Assim, refletir sobre as inflexões do caos exige uma abordagem interdisciplinar e crítica, capaz de articular os processos de adoecimento, o antropoceno e os modos de vida contemporâneos, que não podem ser pensados de maneira isolada, mas como dimensões interdependentes. No entanto, esse estado de caos desvela uma tensão constitutiva: se, por um lado, seu caráter desestabilizador é capaz de gerar sofrimento, por outro, ele é fonte de criação e transformação, uma vez que abre um espaço de indeterminação capaz de desarticular ordens estabelecidas, em que pode ocorrer a emergência de novas formas de estar no mundo. Assim, convidamos os/as interessados/as a refletir as inflexões do caos, tendo como horizonte os processos de adoecimento, o antropoceno e os modos de vida contemporâneos.
Publicado em: 04/12/25
De autoria: casadevidro247
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